Travessia Serra Fina 21 e 22 de julho de 2022.
Eu e mais três amigos, em meados do mês de maio deste ano, começamos a aflorar a idéia de organizar esta Expedição, dia a dia foi se tornando real, até chegar o dia 20 de julho, dia de chegada em Passa Quatro - MG.
Eu e o amigo Freire, nos hospedamos no ótimo Hostel Arpia, e os amigos Martins e Nascimento, vieram direto de Volta Redonda - RJ.
Nosso foco é a travessia em dois dias, já sabendo que a empreitada seria duríssima.
Após vários contatos com a Ruah Ecoturismo Parque (Organizado pelo conjunto de propriedades por onde passa toda a Travessia). Tudo muito novo ainda, após o incêndio florestal ocorrido em julho de 2020.
Pagamos os Ingressos, onde ocorreu um pequeno desencontro de informações, na portaria…marcando e nos informando nosso início pelo Paiolinho, mas nossa decisão e planejamento, era início na Toca do Lobo.
Após muita conversa e acerto para complemento de pagamento, foi liberado o nosso acesso às 10:15 hs da manhã, já muito tarde…pois o nosso objetivo do dia era chegar na Base da Pedra da Mina.
Trekking bem duro, principalmente por estar com o mochilão super pesado, passamos vários testes de auto superação, e depois de aproximadamente quase 5 horas, chegamos no primeiro desafio mais pesado do dia, o Capim Amarelo.
Trilha bem sinalizada, lutamos o máximo para aproveitar a luz do dia, e por volta das 22:00 hs, chegamos na Base da Pedra da Mina, onde conseguimos abastecer nossas águas, que já estavam quase a zero.
Acampamos a cerca de 100 metros abaixo do cume. Graças a Deus, sem chuva, porém com o frio natural e gelado da Montanha.
Conseguimos, fazer nossas refeições, dentro do possível, posicionei minha barraca num bom local e acabei dormindo super bem.
Valeu a pena, levar o corta vento, Anorak, Goró de lã ( pele de Urso ), luvas de lã, meias especiais de lã, travesseiro improvisado de ursinho, calça Anorak, os dois isolantes e o principal: o saco de dormir.
Dia 22, acordamos sem muita pressão, fizemos os cafés ( o bom aporte alimentar neste dia no café da manhã, foi muito importante, pois a jornada, também neste dia, foi bem cascuda, já logo de início, se perdendo na descida para o Vale do Ruah….
Mesmo sempre no visual, conseguimos ir para o sentido Paiolinho, erroneamente, quando percebemos!!! Tivemos que fazer varo mato, nos ajudando muito o aplicativo Gaia, que o Amigo Martins, baixou em seu celular, até chegar a trilha novamente, e finalmente o Vale do Ruah, começando pra valer a jornada neste dia, as 12:30 hs.
Trekking super longo, com deslocamento já em altitude acima de 2200 metros, porém com vários picos a frente para transpor.
Trechos sem quase nenhuma sinalização, direção total no visual….
Quando estávamos no Pico Cupim de Boi 2543 MTS…e visualizamos os Três Estados a frente com seus 2665 metros, vimos a real importância de novamente aproveitar a luz do dia, para conseguir concluir com êxito a jornada de dois dias, pois tinha ainda muitos Kms pela frente e um trecho técnico de pedras em subida, sem sinalização.
Por volta das 18:30 hs, chegamos no Pico Alto dos Ivos, onde marcava a distância de 5300 MTS, até a saída da nativa. Pico com grande desnível, progressão lenta, já com boa sinalização e trilha muito boa…chegamos na Base Nativa, por volta das 22:00 hs, deixamos as pulseiras e tivemos a surpresa que teria mais 3 kms de estrada até a Rodovia, e, mais 2700 MTS, até o Hostel Picus.
Logística de equipamentos:
● Mochilão com 2 ou 3 sacos stanques ultra Light, para garantir as roupas secas no dormir, lanternas e fósforo ou isqueiro secos;
● Camelback de 2 a 3 litros, importantíssimo;
● Saco de dormir, ultra Light para baixa temperatura;
● Isolante térmico;
● Roupa segunda pele, de pernas e tronco;
● Meia de lã, luvas e goró para baixas temperaturas, como complemento no saco de dormir;
● Tênis leve com excelente gripe ( Salomon / Hoka );
● Bandana ou boné de legionários;
● Corta vento + Anorak de 10000 mm;
● Barraca ultra Light 1 pessoa + mochila;
● Bermuda da bike Curtlo, foi top, com os bolsos laterais para carregar os gels e pequenas porções de salgados e doces, além do celular;
● Luva de aderência MaxiGRIP PRO, marca Danny, comprada na Leroy Merlin;
● Na mochila de fácil acesso: apito e um pequeno canivete;
● Trakking pool (bastão de caminhada) mas usei um galho, que pra mim, foi muito melhor;
● Óculos de proteção;
● Hidrosteril ou clorin ( importantíssimo);
● Reidraty de farmácia;
● Suplementos: betalalanine em cápsulas da Fullgaz, gel Gu, bananinhas, eletrólitos em pó ou efervescente, recovery R4 com Creatina, sal e barras de proteína;
● Fogareiro do Japão (foi perfeito), caneca verde do EB, panela do Japão (foi perfeita), bastão em gel da Fiat Lux (marca top), acendedor em bastão tipo fósforo, uma mini esponja para limpeza;
● Chinelos, foi útil, mas foi um peso para mais;
● Kit de higiene pessoal, só o mínimo;
● Kit de primeiros socorros ( muito importante);
● Alimentação bem consistente: levei 2 pacotes de Liofilizados, 2 talharim, Catanho de oleaginosos - castanha, amendoim e nozes. Levar pelo menos 2 maçãs, também é muito importante (por causa da acidose metabólica), 1 pacote de atum, pão, biscoito salgado Piraquê, se possível!! Levar mel, café, café com leite nos zips, azeitonas, proteínas em barra ou sachê, enfim….tudo que de sustância e não seja pesado;
● Importantíssimo levar jornal, cal, papel higiênico e recipiente de plástico para fezes;
● Lanternas, outro item importantíssimo, levei três strobos de bike, uma red lamp e outra lanterna de mão, além do sinalizador refletivo de perna;
● No estanque de emergência, tinha uma manta velame, duas mantas aluminizadas, primeiros socorros, sal, um pequeno canivete com pinça - para sacar espinhos, hidrosteril, coador de café para águas muito sujas, sopas Vono, bala de gomas e uma pederneira para fogo;
● Importante levar protetor solar e labial;
● Celular bom, que aguente a bateria, mais um aplicativo de trilha salva, tipo: Gaia, Wikiloc, etc ..;
● Kit medicamentos: Nebacetin, antitérmico, própolis, novalgina, etc;
● Ao invés do boné de legionários, usei a bandana, para proteger os raios solares e deu muito certo;
Após aproximadamente 2 anos de interdição, por causa de incêndio na Serra Fina, está Fantástica com suas belezas e desafios.
Realmente, tem que se tomar muito cuidado na utilização do fogo, pois toda a região é muito seca e de fácil ignição para incêndios.
Tem que se pensar muito, na logística de início e final da trilha, pois a Toca do Lobo, fica a cerca de 14 kms de Passa Quatro.
Custo Aproximado, em julho de 2022:
R$252,00 travessia;
R$300,00 diárias em Passa Quatro e Itamonte;
R$185,00 ônibus de ida e volta para SP;
R$250,00 aproximadamente de alimentos e suplementos;
No transfer, dispomos dos carros dos Amigos, porque senão!!! Seriam mais aproximadamente R$350,00;
R$50,00 aproximadamente de alguns utensílios de consumo;
R$240,00 outros gastos (queijos, cachaça, doces, mel, café e táxi de Itamonte a Itanhandu).
Total aproximado, de: R$1.277,00
Um resumo da Travessia e pontos mais importantes, por onde se concretiza todo o trajeto.
São aproximadamente 14 picos ou morros que compõem a sugada altimetria.
Pontos que marcamos, saindo da Toca do Lobo:
Morro do Cruzeiro;
Morro do Quartzito;
Morro do Camelo;
Capim Amarelo 2392 MT, primeira grande conquista;
Capim Elefante;
Maracanã;
Dourado;
Morro da Asa;
Rio Claro;
Base da Pedra da Mina;
Pedra da Mina, quarta montanha mais alta do Brasil, com 2798 mt;
Vale do Ruah;
Pico da Brecha;
Pico do Cupim de Boi;
Bambuzal;
Pico dos Três Estados 2665 MT;
Pico Bandeirante;
Pico do Melano;
Alto das Posses;
Alto dos Ivos 2535 MT;
Descida até o Sítio do Pierre, na Base Nativa e término da Travessia. ( Do Alto dos Ivos até a Nativa, são aproximadamente 6 km ).
Pontos de Água:
Toca do Lobo ( fácil acesso);
Dourado ( difícil acesso);
Cachoeira Vermelha ( difícil acesso);
Rio Claro, próximo da Base da Pedra da Mina (fácil acesso);
Rio Verde / Ruah ( fácil acesso).
Dicas Gerais:
Atentar para a logística no final da travessia no Itatiaia, pois não há transporte público, a solução é chegar na Garganta do Registro, cerca de 6 km, acima do Hostel Picus, e tentar uma carona até Rezende ou BlaBlaCar. Lá é a forma mais rápida e viável para chegar em São Paulo, pois por Itamonte / Itanhandu é furada;
Celular de grande qualidade, que tenha uma bateria bem duradoura


Nenhum comentário:
Postar um comentário